Seis meses depois
E afinal existem mudanças. E aprende-se a nunca dizer nunca. E reaprende-se muita coisa e esquecem-se outras. Pede-se tanto para sair e sai-se. Pede-se tanto para trabalhar e trabalha-se. (Menos mal.) Pede-se uma ocupação e ocupa-se o tempo todo e inteiro. Parece que tudo muda. E enquanto tudo vai mudando, o que não muda acentua-se. E a mudança mostra os desajustes que nos rodeiam. As coisas servem, mas não assentam bem. Umas demasiado grandes, outras demasiado pequenas. Mas nunca assentes na perfeição. Os vazios, esses, estão por preencher e assim continuarão. Esses não mudam. Mas com tanta ocupação, já não dá para nos ocuparmos tanto deles. Sabemos que estão lá, mas não temos tempo para nos ocuparmos deles.
Seis meses depois do 'foi nisto que eu dei', transformei-me em outro isto. Continuo a ser um isto, ainda não muito definido, mas um isto um pouco mais luminoso e sorridente. Um isto ocupado. Um isto trabalhador. Afinal parece que isto vai mudando. Ainda desajustado, mas ainda em mudança. Um isto que ensina, um isto que erra, um isto que aprende, um isto que esquece, um isto que recorda. Um isto que não quer regredir.
Seis meses depois do 'foi nisto que eu dei', transformei-me em outro isto. Continuo a ser um isto, ainda não muito definido, mas um isto um pouco mais luminoso e sorridente. Um isto ocupado. Um isto trabalhador. Afinal parece que isto vai mudando. Ainda desajustado, mas ainda em mudança. Um isto que ensina, um isto que erra, um isto que aprende, um isto que esquece, um isto que recorda. Um isto que não quer regredir.

