"Somewhere over the rainbow..."

"Nestas impressões sem nexo, nem desejo de nexo, narro indiferentemente a minha autobiografia sem factos, a minha história sem vida. São as minhas Confissões, e, se nelas nada digo, é que nada tenho que dizer. " - Bernardo Soares -

segunda-feira, junho 13, 2011

Cheia de vazio


Chega-se a um ponto em que palavras como 'farta' e 'saturada' não são suficientes, porque não expressam a dimensão do significado. De que é que me queixo? De tudo. De nada. Queixo-me dos caminhos que escolhi, dos que fui obrigada a seguir, dos que passei e nem sequer reparei que existiam. Tenho desperdiçado tudo. Essencialmente a vida. Tenho vivido mais intensamente coisas alheias a mim do que tenho vivido aquilo que me pertence. Aliás, é-me difícil perceber o que me pertence. É-me difícil definir e delinear a minha vida. Sei lá se a tenho. Sei da vida dos outros. Sei. Não porque pergunte. Não porque queira saber. Porque parece que é minha obrigação saber da vida dos outros. Mas eu não quero saber!! Eu quero saber de mim. Se é que existe mim...
Estou saturada... estou presa a coisas que nem sequer são minhas. E no fundo não tenho nada que possa chamar de meu. Como é possível que me sinta tão só? Como é possível que eu seja tão ignorada, tão esquecida, se estou sempre lá e nunca estou cá? Eu nunca estou para mim. E eu preciso tanto de mim!! Preciso tanto da minha atenção e não a tenho. Porque é que eu não consigo mudar isto? Porquê? Sinto-me tão só. Tão sem mim. Procuro-me nas pessoas a quem me dei, a quem me continuo a dar e nem aí me encontro. Até aí fui desperdiçada. Estou farta. Estou saturada. E dizer isto é como dizer nada! Porque estas palavras não chegam, não dão para exprimir o que realmente é.