"Somewhere over the rainbow..."

"Nestas impressões sem nexo, nem desejo de nexo, narro indiferentemente a minha autobiografia sem factos, a minha história sem vida. São as minhas Confissões, e, se nelas nada digo, é que nada tenho que dizer. " - Bernardo Soares -

quinta-feira, outubro 28, 2010

Get a life!

Viver. Viver. Viver.
É isto que é suposto fazer...
Mas falta-me talento.
Não sei viver.
Nem tenho vontade de aprender.
Sem a queda para a vida de nada me vale a experiência...
Dou quedas na vida...
Dizem que é para eu aprender.
Nunca aprendemos a cair...
Quanto muito controlamos o equilíbrio
Mas a queda não é previsível.
Não. Não se aprende nada.
Ganha-se medo. Terror. Pavor.
Vontade de partir os espelhos.
Vontade de cair. A sério.
Cair mesmo cair.
Sem fundo.
Sem rede.
Sem nada.
Vazio.
Escuridão.
Não fazer o que tem de ser feito.
Porque não se tem jeito.

quinta-feira, outubro 14, 2010

4º Mandamento

Lembro-me da última vez que fomos a Fátima os quatro. Não me lembro do ano, não me lembro do dia. Lembro-me que era Agosto. E estava calor. Destacou-se uma faixa em letras bem grandes onde estava escrito "Honra teu pai e tua mãe"... A mãe não sei se a honrei. Tentei e tento todos os dias. O pai... honro e honro e honro... ou pelo menos acho que sim. Eu tento.
Odeio mentiras. Odeio mentir. E ultimamente não faço outra coisa. Mentiras, omissões, desculpas, justificações... é como se a minha vida não me pertencesse. É como se devesse tudo ao meu pai. Será que isso é honrá-lo? Será que ao poupá-lo da verdade estou a honrá-lo? Não terei eu direito a ter os meus bocadinhos bons e felizes, independentemente com quem seja? Não seria melhor contar tudo de uma vez? Preto no branco. Sem esconder nada... Estarei a desonrar o meu pai por gostar de uma pessoa. Por gostar de estar com ela. Por querer passar dias com essa pessoa. Seja essa pessoa quem for. É a pessoa que eu quero comigo neste momento. Não sei por quanto tempo. Ninguém é obrigado a ficar com ninguém o resto da vida, pois não?
Este dilema mata-me por dentro. Não estou bem com um nem com outro. Sinto-me uma criminosa. Não sei o futuro. Não posso saber. Mas também não consigo andar assim. A viver como se a vida não fosse minha. Ninguém me pede justificações, mas eu penso que as tenho de dar. Será isto honrar o pai? Sou uma criminosa por gostar de alguém? Não tenho esse direito? Então porque é que tenho de esconder? Juro que estou a dar em doida... :(