"Somewhere over the rainbow..."

"Nestas impressões sem nexo, nem desejo de nexo, narro indiferentemente a minha autobiografia sem factos, a minha história sem vida. São as minhas Confissões, e, se nelas nada digo, é que nada tenho que dizer. " - Bernardo Soares -

sábado, julho 24, 2010

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E, após um ano, a suposição transforma-se em certeza. E as certezas transformam-se em dúvidas. Nunca me senti culpada de nada. E agora penso que fui eu que provoquei esta ruptura. Não sei como, nem quando... nem posso saber. Estou triste. Muito triste. Afinal nem as amizades são para sempre. Afinal as palavras hoje em dia estão completamente vazias de sentido. Lembro-me de termos combinado guardar as pedras todas que encontrássemos no caminho para construírmos cada um o seu castelo. Os nossos castelos ficariam lado a lado. Agora já percebi que a construção do teu castelo já vai avançada e que, não só já não há terreno para mim, como as muralhas do teu castelo são intransponíveis. E é assim... depois de quase uma vida inteira... é assim que tudo termina. Como se não me visses. Como se não me conhecesses. Quebraste as promessas todas. Melhor não as tivesses feito. Eu vou cumprir as minhas. Não é por agora já não saberes quem sou, que eu deixei de saber quem eras. Vou sempre saber quem tu és. E vou cumprir. Vou estar sempre onde precisares de mim. Sem rancor. Hás-de ter as tuas razões. E o teu orgulho que tu tanto prezas não me assusta. Vais acabar por me reconhecer. Sem eu precisar de me apresentar.

quinta-feira, julho 15, 2010

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Haverá coisa pior do que odiar-se a si mesmo? Ter raiva de si mesmo? Não se suportar a si mesmo? Ah! Estou no limite. No limite. Está tudo por um fio... e ainda ninguém se apercebeu disso. Por um fio. Dizem-me que me estendem as mãos, mas o que é certo é que não agarrei nenhuma. Fazem lá ideia das lágrimas que choro... dos gritos que ecoam na minha alma... dos pensamentos tenebrosos que me assaltam a todo o momento. O que eu quero mesmo é acabar com isto. "Não sou nada, nunca serei nada, não posso querer ser nada" e não tenho comigo nenhum sonho. Só pesadelos. Demasiado reais. Julguem-me uma lutadora, julguem-me uma pessoa cheia de força... julguem-me assim se é assim que me vêem. Ou se é assim que me mostro. Não faz mal. Digam que me conhecem. As vezes que quiserem. Conhecem até onde eu deixo. Há coisas que nem sequer imaginam. Já não estou aqui há muito tempo. E ninguém sentiu falta. Não preciso saber mais nada.