Waiting

Estava sempre à espera de algo novo. Chegando ao fim do dia, esperava sempre por uma novidade. Não pedia nada de extraordinário. Esperava sempre que alguém se lembrasse de si antes de a deixar dormir. Talvez por isso sempre tivera insónias terríveis. Porque esperava e nada acontecia. Esperava, esperava, esperava... nada de novo. A não ser a frustração e a tristeza, que eram avivadas pela falta da tão esperada novidade. Todas as noites a mesma coisa, todas as manhãs pensava "há-de ser hoje. Hoje há-de ser.", todos os dias esperava. A noite chegava, como todas as noites. Nada acontecia, nada mudava, a esperança não morria. Não morria por uma única razão... porque, teimosa, pôs na cabeça que há-de ser a última a morrer. E por causa de um capricho da esperança, passa noites sem dormir à espera do que já não espera porque sabe que não existe.


