"Somewhere over the rainbow..."

"Nestas impressões sem nexo, nem desejo de nexo, narro indiferentemente a minha autobiografia sem factos, a minha história sem vida. São as minhas Confissões, e, se nelas nada digo, é que nada tenho que dizer. " - Bernardo Soares -

segunda-feira, dezembro 21, 2009

Someday

Um dia vou passar por ti e as minhas pernas não vão tremer.
Um dia vou olhar-te nos olhos e vou manter-me firme.
Um dia vou deixar de querer saber se pensas em mim, se sentes culpa, se estás bem ou mal, se estás feliz ou desgraçado, se te aguentas ou não.
Um dia vou pensar em recusar-te qualquer coisa que me peças, mas vou acabar por te estender a mão caso precises. Mas a minha mão não se vai prender nem perder na tua.
Um dia vou libertar-me de ti.
Um dia... não digo que me vá esquecer de ti... Mas...
Um dia não me vou lembrar de ti.

Esse dia está cada vez mais perto.

domingo, dezembro 20, 2009

Something (?)

Não sei o que é... Não sei se é princípio ou se é fim. Se é nada ou coisa nenhuma... Se é alguma coisa ou tudo.
Não sei o que é. Mas só por me fazer querer alguma coisa já faz a diferença.
Devagar, devagarinho. Sem pressas. O que tiver que ser é... E se não tiver que ser, já não há surpresas.

terça-feira, dezembro 15, 2009

Definição II




Humilhação. É esse o sentimento. Nem paixão, nem saudade, nem traição, nem nada muito próximo de algo perto do gostar. Não é um sentimento bom. Mas podia ser pior.


Por outro lado... Alívio! Agradecimento! Ainda bem que foi só aquilo e aquilo e nada mais. Não tenho nada a ver com ninguém. Não é nada comigo.


Se sou culpada de alguma coisa é de ter tentado fazer o melhor. Não mereço castigo de ninguém, nem de mim própria. Perdoar? Estava perdoado mesmo antes de acontecer.


Humilhação. Não se aprende a lidar com isto de um dia para o outro... Mas nada que o meu orgulho e a minha força não resolvam. Vou continuar a subir as escadas... degrau a degrau. Quem vai, vai... Quem está, está.

terça-feira, dezembro 08, 2009

365 dias

365 dias e sobra-me o vazio.

365 dias e faltam-me as palavras.


Vou ficar-me pelas últimas palavras que te disse há 365 dias atrás:

"Até já."

sexta-feira, dezembro 04, 2009

A ladrar, a ladrar

Os animais hoje estão loucos. Talvez seja da lua cheia. Estão agitados. Consigo perceber que saltam, pulam, quase que os vejo salivar... Estão loucos. Os cães ladram. Ladram com a ferocidade própria da noite. Aqui e ali ouve-se um gemido de um gato. Aquele gemido angustiante que mais parece choro de criança. Os cães ladram e ladram e hão-de continuar a ladrar noite dentro. Até se cansarem. Até caírem vencidos pelo cansaço. Ou talvez não se cansem e ladrem eternamente. Pouco importa... Os cães podem ladrar eternamente. Porque enquanto os cães ladrarem, a caravana há-de passar. Passa sempre.