"Somewhere over the rainbow..."

"Nestas impressões sem nexo, nem desejo de nexo, narro indiferentemente a minha autobiografia sem factos, a minha história sem vida. São as minhas Confissões, e, se nelas nada digo, é que nada tenho que dizer. " - Bernardo Soares -

domingo, outubro 25, 2009

Nein!

Dizer que não. Voltar a dizer que não. Não, não, não e não. Dizer não para convencer que é não. Porque, na verdade, não queremos dizer não. Mas, para nosso bem o não é o melhor caminho. Terapia da negação. Pensar, dizer e repetir quantas vezes forem precisas a palavra não. Combater a tentação com um não. Até que nos nossos olhos se veja apenas a recusa. Até que nos transformemos num grande não. E depois? Consegues dizer que não?? Não.

sábado, outubro 17, 2009

Foste...

Não fui eu que te tirei da minha vida. Tu é que nunca quiseste entrar. E o meu maior erro foi pensar que fazias parte dela. E ao pensar isso, dei por mim a puxar-te, a querer partilhar coisas contigo que não te despertavam o mínimo interesse e que tu nem sequer percebes. A partir de agora não ouses sequer em pedir-me para visitar a tua vida. É demasiado labiríntica e sombria para que eu possa entrar sem me perder. E caso um dia te aches no direito de reclamar a tua entrada, não o faças. Tudo tem o seu tempo. O teu tempo comigo acabou. O meu tempo já não passa por ti. E espaço para ti também não há. Adeus.

sábado, outubro 10, 2009

Desassossego


Tem sempre que faltar qualquer coisa.

Tem sempre que haver uma lembrança, uma memória.

Tem sempre que haver um querer.

Tem sempre que haver o não ter.

Tem sempre que haver um vazio.

Tem sempre que haver qualquer coisa.

Quando no fundo não há coisa nenhuma.

domingo, outubro 04, 2009

Não.

Não sou Aladino, não tenho direito a um génio da lâmpada mágica. Se tivesse, chegava-me um pedido: não pensar. Estou farta de pensar, repensar, moer e remoer. O pensamento que conduz a fantasias demasiado fantasiosas e fantásticas. Estou farta e não consigo parar de pensar. E queria tanto, tanto... Quanto mais penso mais me perco.
Não. Não sou Aladino. Quanto muito, no plano das histórias de fantasia, sou uma simples Gata Borralheira. Sem fada madrinha, sem sapato, sem príncipe. Sou aquilo que sou. Aquilo que sempre fui. Aquilo que sempre serei. Uma sombra de alguma coisa que não se revela nunca.