"Somewhere over the rainbow..."

"Nestas impressões sem nexo, nem desejo de nexo, narro indiferentemente a minha autobiografia sem factos, a minha história sem vida. São as minhas Confissões, e, se nelas nada digo, é que nada tenho que dizer. " - Bernardo Soares -

sábado, agosto 29, 2009

Para variar...

De todas as coisas possíveis e imaginárias que poderiam suceder, esta era sem dúvida a que menos merecia. Sem uma explicação, sem uma resolução. Apenas a angústia, a dúvida, a mágoa, o sofrimento. O não saber como agir, o que dizer, o que pensar. A normalidade está muito fora e muito longe. Esperar que passe. Tudo passa. A muito custo, ainda não vai ser desta. Por muito que a vontade de desistir tome conta de todo o ser, não existe sequer a possibilidade porque o sol continua a nascer todos os dias para lembrar que há uma vida para ser vivida, mesmo que não haja vontade de o fazer.
De todas as coisas que faltam saber e que provavelmente sempre faltarão, a única coisa perceptível é a injustiça e o facto de, definitivamente, ser algo não merecido. É difícil acreditar que haja tanta maldade e insensibilidade. Custa interiorizar que este sofrimento está para durar. A única solução é reencontrar a velha coragem e com ela seguir em frente. "Vai correr tudo bem"... Nota-se!!!

segunda-feira, agosto 03, 2009

A última?

As mãos cravadas na terra. O peso de todo um corpo naquelas mãos. Tentou levantar o pé para conseguir subir, mas a força já era tão pouca que acabou por cair no fundo outra vez. Fizera tantas tentativas, que foi perdendo a força. Mas pior do que estar a perder a força, era estar a perder a motivação e a coragem. Das outras vezes ainda tinha conseguido ver alguma luz, mas desta vez nem esteve lá perto. Já não se preocupou em olhar para cima. O corpo sentado, a cabeça baixa. A posição de desistência, as mãos suspensas. As mesmas mãos que tinham deixado escapar a terra... as mesmas mãos que tinham deixado escapar a vida.
Restavam três hipóteses: continuar a tentar, esperar que alguém lhe estendesse a mão, ou desistir. Ao aperceber-se disto, levantou a cabeça. Gritou, gritou, gritou. Mas não gritou para chamar. Não gritou para pedir. Gritou para fazer a terra tremer. Gritou para a que a terra desabasse de uma vez por todas. Lentamente, muito lentamente, a terra foi cedendo. Já não tinha voz. Já não gritava. Pensou: há sempre uma última vez. Só não sabia se aquela tentativa tinha sido a última. Será que iria ganhar forças para tentar subir de novo?