"Somewhere over the rainbow..."

"Nestas impressões sem nexo, nem desejo de nexo, narro indiferentemente a minha autobiografia sem factos, a minha história sem vida. São as minhas Confissões, e, se nelas nada digo, é que nada tenho que dizer. " - Bernardo Soares -

domingo, junho 28, 2009

7 da manhã

Não há sinais nem avisos.
Quando as coisas são impossíveis tem de haver apenas a consciência dessa impossibilidade.
Ninguém deve ser tão ignorante ao ponto de acreditar em contos de fadas.
Finais felizes?? Até já nos filmes, nas novelas e nos livros começam a ser uma raridade...

domingo, junho 21, 2009

Quit

Desenquadrada, inadaptada... Deambulando de rua em rua... Só, sempre só! Porque o destino existe para ser cumprido. Porque não nasceu para ser de ninguém, nem nunca saberá ter alguém. Acredita ainda que um dia tudo mudará. É o que dá não se conhecer o próprio destino. Se ela soubesse o que está guardado para si, já teria desisitido há muito...

domingo, junho 14, 2009

Letting Go


Não posso querer mais do que o pouco que tenho. Porque isto de querer o muito pode levar a perder o pouco. Interessa é conservar esse pouco, que é quase nada, de maneira a que um dia possa, gradualmente e da forma correcta, chegar a algum, a muito, talvez a bastante, ou quem sabe a tudo! Tenho de ser paciente. As coisas que queremos muito não chegam até nós com a rapidez que queremos, só porque queremos que assim seja. O caminho é longo e nem sempre o mais fácil. Por muito que queira entrar por atalhos para chegar mais depressa, a única coisa que vou encontrar são os trabalhos da sabedoria popular. O primeiro passo está a meio. Daqui a algum tempo, espero que esteja completo. E que o pouco e muito se confundam no necessário e no suficiente, para que eu tenha tudo.

quarta-feira, junho 10, 2009

Os outros




"Tens de dar valor a ti mesma. E olha que tens muito!" "Não penses tanto nos outros... Pensa mais em ti." Estas palavras não saíam da sua cabeça. Martelavam, martelavam, martelavam. Tentava não pensar nelas. Valor? Que valor? Pensar menos nos outros? Como? Se tem um terror terrível de ficar sozinha, de perder todos os que a rodeiam? E como conseguir isso sem ser a agradar os outros? Como mostrar que tem valor, se não lhes fizer todas as vontades? Se não viver única e exclusivamente para eles?



No dia a seguir a ouvir estas palavras não fez nada a não ser viver para os outros. Seguir os outros. Escutar os outros. Até que os outros desapareceram. E deu por si, no meio da rua, sentada numa pedra fria, completamente só.



Afinal, o que deveria fazer? Viver para si? Como, se não tinha vida? E como construir uma vida consigo mesma? Não se suportava, odiava-se... sentia raiva de ser quem era. Não aguentava ter de se aturar. Por isso vivia para os outros... para se esquecer de que existia. Mas a solidão que os outros lhe deixavam, servia para lhe lembrar de que existia. E era isso que a revoltava... é que existia, mas não sabia porquê.



segunda-feira, junho 08, 2009

?

Talvez estivesse a perder. Talvez não tivesse nada a perder. A cabeça cada vez mais confusa, o sufoco, as palavras a querer sair, o esforço de as sustentar... Conteve-se. Sabia que não era o momento certo.
Resta esperar. Esperar que as palavras ganhem tal força que já nada as consiga suster... ou esperar que o tempo as faça desaparecer. Esperar e ganhar a recompensa pela paciência. Ou perceber que não havia nada para perder...