"Somewhere over the rainbow..."

"Nestas impressões sem nexo, nem desejo de nexo, narro indiferentemente a minha autobiografia sem factos, a minha história sem vida. São as minhas Confissões, e, se nelas nada digo, é que nada tenho que dizer. " - Bernardo Soares -

domingo, maio 31, 2009

Lição




"Tens de aprender a sentir a minha falta. Vais aprender a sentir a minha falta", pensou decidida. Esperou, esperou, esperou. Horas, dias, meses. Sempre confiante de que ele iria sentir a sua falta.


Até ao dia em que percebeu que tinha aprendido a não sentir a falta dele.




É o que acontece quando queremos ensinar os outros... Acabamos nós por aprender alguma coisa.

sexta-feira, maio 22, 2009

Heavy

A máquina de lavar sempre gostou de sair do sítio. E lá estavas tu para a empurrar para o sítio de onde não deveria ter saído. Empurrava-la como se ela não fosse pesada.
A mesa de centro da sala era levantada todas as semanas. Tu levantava-la sozinha.
Os sofás da sala eram empurrados como se fossem de esponja.
Tudo isto fazias sem que os teus braços e pulsos frágeis cedessem ao esforço que depositavas nestas tarefas. Quem te visse, diria que não te custava desempenhar estas tarefas.
Hoje sei que a máquina de lavar é pesada (sim, continua a sair do sítio), a mesa de centro é pesada e os sofás exigem dos meus também frágeis braços um esforço que me cansa e me derrota.
Mas o que me pesa mais, é aquele peso que trago no coração... É aquele peso de nunca ter percebido, ou nunca ter feito um esforço para perceber, que o teu esforço era sobrehumano...
E agora percebo que sem ti, tudo se tornou mais pesado, mais difícil de carregar, de empurrar, de suportar...

terça-feira, maio 12, 2009

As always. . .


Olhou à sua volta. Tudo se compunha. Todos seguiam o seu rumo. Alguns perdiam-no, mas logo o reencontravam. Apenas ali, naquele espaço onde se encontrava e onde não cabia mais ninguém, tudo continuava igual. Tudo igual como sempre fora. Tudo como sempre conhecera. Às vezes achava o espaço pequeno demais até para si. Mas, por mais que tentasse, não conseguia sair. Quase que sufocava à espera que o espaço alargasse só um bocadinho. Mas nunca alargava o suficiente para que alguém pudesse entrar...

De facto, tudo se compunha. Via espaços a alargar, multidões num mesmo espaço. Só o seu era individual. E ninguém esperava, ninguém chamava, ninguém via... Um dia o espaço ficou tão pequenino, que desapareceu. Ninguém se apercebeu. Tudo se compusera. Todos tinham tomado o seu rumo.

sábado, maio 09, 2009

Not all

Quis chegar mais longe, mas não saiu do mesmo sítio.
Andou, andou, andou, e a única coisa que experimentou foi o peso e o cansaço dos dias intermináveis.
Quis ser tudo. Pensou ser tudo. Acreditou que iria ser tudo.
Lutou por esse tudo. Não lutou tudo.
Hoje não é nada. Amanhã nada será.

quarta-feira, maio 06, 2009

Faithless


A pouco e pouco foi perdendo a fé em tudo.

Primeiro perdeu a fé em Deus.

Depois perdeu a fé nos outros.

Só não perdeu a fé em si.

Nunca a achara.

domingo, maio 03, 2009

Dia da Mãe

Dia da Mãe foram todos aqueles dias em que não soube ter-te. Foram todos os dias em que não soube ouvir-te nem compreender-te. Foram todos aqueles dias em que a frase "Amo-te Mãe" ficou presa na garganta e não saiu.
Dia da Mãe foram todos os dias. Todos. Até mesmo aqueles em que parecia que não. E não haverá um dia que não seja dia da Mãe.