"Somewhere over the rainbow..."

"Nestas impressões sem nexo, nem desejo de nexo, narro indiferentemente a minha autobiografia sem factos, a minha história sem vida. São as minhas Confissões, e, se nelas nada digo, é que nada tenho que dizer. " - Bernardo Soares -

segunda-feira, novembro 17, 2008

(i)mutável


Aquela rua já não era a mesma rua, aquelas casas, aquelas janelas, tudo mudado, já nada era o mesmo. Aquela figura que avançava ao longe não era a mesma. Tudo estava no sítio, porém tudo estava diferente. A estanheza com que sentia todas aquelas mudanças, a certeza de que tudo estava diferente, mesmo quando tudo continuava igual. Ruas não se transformam, espaços vazios não mudam de lugar... Que se passara?

Tinha chegado a altura de dizer adeus. Um adeus definitivo, de quem não volta, mas também não parte. Tinha chegado a altura em que era necessário desatar sem cortar. Tudo tem o seu tempo. Era chegada a altura de perceber que a figura avançava para longe e não para perto. Perceber que tinha sido sua a culpa daquele afastamento... Perceber que há coisas irremediáveis e que nem tudo solução. Ter consciência que o coração aguenta tudo, que tudo passa, que a rua há-de voltar ao sítio...

Não está triste... Sabia que assim havia de ser... O sorriso ficará sempre, a cada lembrança de cada instante. Chega-se a um ponto em que já nada nos deita abaixo, em que nada nos empurra para o fundo... Chega-se a um ponto em que não existe mais fundo. Chega-se a este ponto, em que se existe só por existir... Nada há que importe. A não ser a felicidade dos que nos rodeiam.

Há que virar as costas, sem nunca virar o coração...