Sentado na Vida

"A isto chamam a vida. A este vazio. A este não saber que fazer das mãos quando, enfim, da máquina as mãos se libertaram. A esta mesquinha oscilação entre nada e coisa nenhuma chamam vida. Aqui estou pois sentado na vida. Impotente. Como quem se senta num túmulo. Os braços, as pernas, paralizados. A cabeça cheia de fórmulas sem sentido - cheia de pedras. Pedras de cenário. O sangue parado nas veias, apodrecido por um dique; o sangue gelado, contido em seus vasos e controlado pelas conveniências."
- Casimiro de Brito -


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