"Somewhere over the rainbow..."

"Nestas impressões sem nexo, nem desejo de nexo, narro indiferentemente a minha autobiografia sem factos, a minha história sem vida. São as minhas Confissões, e, se nelas nada digo, é que nada tenho que dizer. " - Bernardo Soares -

terça-feira, julho 25, 2006

Quem sabe...

... um destes dias, assim que abrir os olhos, não perceba finalmente tudo o que se passa à minha volta?? Seria bom, seria útil essa descoberta, seria interessante desmistificar o mistério destes dias negros de sol que me encadeiam o olhar... Sempre a mesma sensação de vazio. Sempre a mesma sensação de não haver nada que me possa fazer realmente feliz. Sempre a mesma sensação de percorrer o caminho errado e em contra-mão. Sempre o cansaço acompanhado da insónia, que por sua vez vem acompanhada de pesadelos, que vêm acompanhados de realidade.

...não conseguirei nesse dia libertar-me deste nó apertado na garganta que me esgana o coração?? A dor é cada vez mais forte, mais dilacerante... Não há analgésico que me valha, não há palavra que me conforte, não há sítio que me acolha, não há companhia que me acompanhe... Não há nada..."um nada que dói"... Mas dói mesmo. Dói cada vez mais. Uma dor que não se sabe quando começou, e que não terminará tão cedo... Uma dor vinda de tantos pontos exteriores e que se direcciona para um ponto interior... Guiada por linhas que se entrecruzam e que apertam, apertam, apertam, apertam...

...os meus olhos conseguirão deitar fora toda esta tristeza, toda esta angústia, toda esta ansiedade?? Sinto que essa seria uma boa forma de aliviar a dor, mas não consigo... nem isso consigo... Algo que desconheço fechou as portas que não têm chave...

...um destes dias eu não consiga finalmente adormecer?? E quando abrir os olhos, já noutra dimensão, encontrarei finalmente todas as respostas e encontrarei finalmente a felicidade... Encontrarei a paz que preciso para viver... Encontrarei tudo isso quando não me fizerem falta, quando já não precisar... mas encontrarei, eu sei.

segunda-feira, julho 24, 2006

Flagrante


Eu não tinha este ar preocupado.
O coração sofrido.
A alma dilacerada.
Eu não tinha este este olhar perdido.
Esta dor da vida.
Estas mágoas...
Eu não sabia o que era solidão.
Esta sede de afecto.
Esta fome de emoção.
Eu não tinha este sabor amargo.
Este fel.
Este travo.
Eu não tinha esta face.
Serei eu?...

- Fernanda Benevides -

domingo, julho 23, 2006

...

O que fazer quando sentimos que já fizemos tudo o que podia ser feito? O que fazer quando nos perdemos e não encontramos o caminho de volta? O que fazer quando nos sentimos tão sós que até parece que já nem a nossa alma nos acompanha? Alguém que me diga o que fazer, pois eu não encontro uma única solução para tantos problemas... Parece que mais uma vez me vou dar por vencida... Parece que mais uma vez tudo é ilusão... Parece que vou ter que escalar o poço outra vez... Parece que já descobri o meu destino... Parece que nem tudo o que parece é...

quinta-feira, julho 20, 2006

I wonder...


Tenho pena de não conseguir ser falsa... Tenho pena de não conseguir ser cínica... Tenho pena de não conseguir ser egoísta... Julgo que assim nunca chegarei a lugar algum. Parece que nos tempos de hoje, já não existe espaço para pessoas sinceras... e isso aflige-me!! Sei que pareço fria, sei que tenho mau feitio, sei que por vezes sou muito brusca, intempestiva, inconstante, inconveniente... sei que tenho todos os defeitos e mais algum que se possa imaginar. Mas será isso assim tão grave? Será que é assim tão mau? Terei que pagar a factura por ser uma pessoa verdadeira e sincera? Eu, que achava que já sabia tanta coisa sobre a vida e sobre as pessoas, sinto-me a pessoa mais ingénua do mundo. Sinto-me desprotegida, porque não conheço o chão que piso... É tão desconfortante o pensar que se caminha num caminho armadilhado... não conseguir ir segura, por não saber de onde virá a próxima bala, a próxima facada, a próxima pedra... Mas acho piada quando me acusam de malvadez!! Desde quando transparência, sinceridade, honestidade se tornaram sinónimos de maldade?
A cada dia que passa dou por mim a tentar descobrir em quem posso e em quem não posso confiar... em quem devo, ou não, acreditar... e isto é tão horrível... Não seria tudo tão mais fácil se fossemos todos sinceros e verdadeiros uns com os outros? Eu sei que há verdades que custam ouvir... mas não é muito pior a mentira? Juro que isto me irrita, me entristece... Não concebo o mundo como um local onde cada um só pode contar consigo mesmo. Recuso-me a viver numa sociedade predadora!! Somos todos iguais... será que ninguém entende que quando tudo isto acabar vamos todos para o mesmo sítio? De que vale fazermo-nos passar por aquilo que não somos? A nossa vida é um autêntico Carnaval, visto que andamos sempre disfarçados de alguma coisa... E eu tenho receio de me deixar disfarçar...
Não percebo o objectivo de tanta falsidade... Não me quero tornar mais desconfiada do que aquilo que sou... assusta-me pensar que posso ter um inimigo muito perto de mim... apavora-me pensar que as pessoas que amo, afinal não me amam. É tudo tão revoltante... apetece-me gritar e pedir para parar com tudo isto... Eu gosto é da verdade, da sinceridade, da frontalidade... mas já sei que, para variar, ninguém me compreenderia... Cada vez mais sinto que não pertenço a este mundo... Mas se assim é, para onde será que deva ir??

quarta-feira, julho 12, 2006

Quase dois meses depois...

... eis que surjo na noite quente de Verão!! Já não passava por aqui há muito tempo, mas isso pouco importa, visto que ninguém sabe que este blog existe!! Estava tudo a correr menos mal... eu não tinha preocupações, eu divertia-me, eu achava que, finalmente, as coisas estavam a tomar um rumo bom para mim... mas eis que a minha sina acorda!!! Eis que desde a passada semana ela se ergueu na noite escura e me assombra os dias... Todas as minhas noites são de insónia... Todos os meus dias arrasto por aí o meu cadáver adiado...

Há coisas que realmente me tiram do sério e me tiram o sono!! Não me sinto em mim, sinto-me estranha. Acho que se houvesse agora a pior catástrofe do mundo, eu não daria por ela... Estou demasiado compenetrada em meus pensamentos para me aperceber do que se passa à minha volta... "Pensas demais nas coisas..." dizem-me... será? Será que penso demais nas coisas? Provavelmente sim... Pela fresta da janela vejo os primeiros raios de sol que despontam vindos não sei de onde... daqui a duas horas o despertador vai tocar... daqui a duas horas terei que começar um novo dia, sem mesmo ter acabado o outro que supostamente passou... As ideias não fluem, os pensamentos baralham-se... lá fora um galo canta e um cão ladra... cá dentro um coração agoniza e uma cabeça implora por descanso...

Sinto-me a chegar ao limite de mim... e nunca pensei que pudesse chegar aqui... nunca me achei capaz... e o pior de tudo nem é isso... o pior é que, passados dois meses, nada mudou, afinal... e para piorar as coisas, daqui a duas horas, o despertador vai tocar...